O CriptoVery é um sistema que registra, de forma pública e verificável, a origem e o histórico de um lote de café — desde a declaração do produtor até a documentação de exportação.
Cada evento (recebimento, classificação, declaração de conformidade) é registrado com data, autoria e conteúdo, de um jeito que não pode ser apagado nem alterado depois sem deixar rastro.
O que o CriptoVery garante: que o registro, uma vez feito, não é alterado de forma silenciosa.
O que o CriptoVery não garante: que a informação original declarada era verdadeira. Essa distinção é importante e será retomada ao longo deste documento.
A partir de dezembro de 2026, a União Europeia passa a exigir prova de origem verificável para importação de café (Regulamento EUDR). O Brasil é classificado como país de "risco padrão" nessa regulação — não é considerado baixo risco — o que exige diligência completa, não simplificada.
Hoje, a maioria das cooperativas comprova origem com documentos soltos: notas fiscais, planilhas, papel. Quando lotes de produtores diferentes se misturam no processo de comercialização, fica mais difícil reconstruir com precisão a cadeia completa de custódia.
O CriptoVery não substitui a documentação legal existente — ele organiza e preserva evidências que apoiam esse processo de forma verificável.
O princípio central do sistema é simples: duas partes registram informações de forma independente, sem combinar antes, e o sistema compara.
Previsão de safra, manejo, volume entregue.
Peso na balança, classificação (peneira, tipo, bebida), volume recebido.
Quando as duas informações convergem, isso reforça o histórico de confiabilidade daquele produtor. Quando divergem, o sistema registra a diferença — sem classificar automaticamente como fraude. Uma quebra de safra por evento climático é tratada de forma diferente de uma divergência sem explicação: em ambos os casos, o fato fica registrado; a interpretação continua sendo humana.
Importante: o peso na balança não é tratado como "mais uma declaração" — é uma medição instrumental, categoricamente diferente de uma afirmação humana. O sistema distingue os dois tipos de evidência internamente.
A informação registrada é organizada como uma cadeia — cada novo registro incorpora criptograficamente uma referência ao anterior. Se alguém tentasse alterar um registro antigo sem autorização, essa alteração quebraria a cadeia de forma detectável.
Isso não significa que o dado original seja necessariamente verdadeiro — significa que, uma vez registrado, ele não pode ser reescrito de forma silenciosa por ninguém, incluindo a própria cooperativa e o próprio CriptoVery.
Essa é uma diferença importante em relação a um banco de dados comum: num banco de dados tradicional, quem tem acesso administrativo pode, em tese, alterar um registro sem deixar rastro visível. Na arquitetura do CriptoVery, qualquer correção é registrada como um evento novo, ao lado do original — nunca como substituição.
Cada cooperativa opera com uma identidade de assinatura própria (carteira digital gerenciada por infraestrutura de terceiro especializado — Circle), separada de qualquer outra cooperativa no sistema. Isso significa continuidade institucional: se um funcionário deixar a cooperativa, o acesso dele pode ser revogado sem perda de histórico ou de acesso à conta da cooperativa.
Cada funcionário que opera o sistema tem login individual — nunca uma senha compartilhada por setor ou função. Isso permite saber, a qualquer momento, quem registrou o quê.
Quando um acesso é revogado, ele deixa de funcionar imediatamente, mesmo que a pessoa já estivesse com uma sessão aberta no sistema.
O sistema sinaliza inconsistências, mas não decide sozinho o que fazer com elas. A decisão final permanece sempre com pessoas.
É importante que fique claro, desde o início:
O CriptoVery organiza, registra e preserva evidências fornecidas pelos participantes da cadeia. A responsabilidade pela veracidade dessas informações permanece com quem as declara.
O sistema não substitui, e não tem a pretensão de substituir, nenhuma obrigação legal existente — de exportação, fiscal, ou regulatória. Ele é uma camada adicional de organização e verificabilidade sobre processos que a cooperativa já realiza hoje.
Não. O CriptoVery organiza e preserva evidências que apoiam a documentação existente — não a substitui nem elimina obrigações legais já vigentes.
O objetivo é o contrário: reduzir retrabalho documental, centralizando evidências que hoje ficam espalhadas em papel, planilha e e-mail. Há, sim, uma etapa inicial de adaptação ao sistema.
O acesso é controlado por conta individual, com permissões definidas pela própria cooperativa. Dados pessoais de produtores (CPF, telefone) nunca são registrados diretamente na blockchain pública — ficam num banco de dados privado, separado, seguindo princípios de proteção de dados (LGPD).
O acesso dele é revogado imediatamente, sem perda de histórico. A identidade institucional da cooperativa (a "conta" dela no sistema) não depende de nenhuma pessoa física específica.
O modelo de cobrança ainda está em definição. Nenhuma cooperativa será cobrada sem acordo prévio e claro sobre valores e condições.
O sistema não tem como verificar, sozinho, se uma declaração é verdadeira no mundo físico — ele preserva o registro de que aquilo foi declarado, naquele momento, por aquela pessoa. Divergências entre o que o produtor declara e o que a cooperativa verifica na prática ficam registradas e podem ser investigadas normalmente.
O CriptoVery opera atualmente em ambiente de testes (testnet), sem custo de uso real, e busca cooperativas parceiras para validação prática antes de qualquer etapa comercial.
Este documento apresenta a lógica geral do sistema. Para conhecer o funcionamento na prática, sem qualquer compromisso ou uso de dado real, está disponível um ambiente de simulação completo.
CriptoVery — evidências verificáveis para a cadeia do café.